24 de março de 2012

Nunca branca demais

Nuca branca
Nunca mais
Num ranca e finca paz dentro de mim

Que eu vou virar um desejo de beijo de
Nunca mas

Era uma vez o lugar onde mora o sentimento. Habita a portaria. Fala com o porteiro. Pega o elavador; sobe e desce. Beija do nono ao térreo. Para só pra tomar a escada. Num gole de sonho que falta a vida banal. A vida conjugal.

Sinto uma imensa vontade de ser de você. A intensa maldade de tudo esconder. Eu peguei emprestada a borracha da colega pra não devolver mais. Morder borracha de bom, de besteira de nem ter vergonha de nada de nem de ninguém. Você é do mundo e tudo bem. Quem sabe ela não sabe que não te tem. Tome borracha. Tome borracha toda mordida. Todo mordido querida. Todas as que você quer.

Vou viver pra sempre numa madrugada até o amor acabar. Fingir que é amor o que eu não sei controlar. Pra toda vez jurar de vez em vez que não tem vez da gente fazer o que fez. Vou viver de dia no dia de uma despedida. Pegar a borracha dela com e sem intenção de apagar pra sempre a razão.

27 de fevereiro de 2012

Ponto e vírgula

Eis a história de uma amiga. Uma amiga conhece dois homens. Dois homens passam por uma mesma dificuldade. Eles preferem se abster de manter amizade e que a amizade os mantenha. O que eu digo a essa amiga é que eles deveriam ler Rubem Fonseca. Andar com uns mano lá da quebrada. E deixar de ser viado.

Eu conheço esse tipo. Eu quero distância.

Eis o meu corpo nú. Em suas camas. Todo coberto. Até o rosto. Eles confessam algum problema psicossomático que os impede de agir em prol da comunicação e escolhem o lençol branco mais bonito e transparente pra me cobrir. De dedos cruzados pra cair uma chuva.

Eu conheço esse tipo, mas hoje eu acordei com uma vontade de me machucar...

Toda vez que eu penso nas minhas outras vidas eu penso em vocês. Me fantasio de diva com uma facilidade. Sucumbir ao melodrama é mais fácil ainda. Ainda assim ninguém aparece. Tá todo mundo comprando lençol branco bonito e transparente mundo afora.

Eis o meu azedume. Eu sou especial numa querência esquisita de quem não me quer. Das coisas babacas que ouvi por aí é que só se perde o que tem. Eu tenho uma amiga que conhece dois homens com o mesmo problema.

11 de dezembro de 2011

A arte de dar





Eu sou ruim num monte de coisas. Dentre esse monte não mesmo consigo correr, nem dar presentes. O meu pai avacalha com meus pés meio tortos e a corrida é uma tortura de pensar que se eu usasse um tênis de luzinhas não faria um bom desenho numa foto com trinta segundos de exposição. Sou pior em presentear. Passo folegadas do meu dia a descarregar providências pessoais em objetos ilusórios. Eu crio uma coleção de mimos que não existem; satisfaço-me e a ninguém mais.

Concedo dedicatórias em livros meus num certo ato de mesquinharia. Comigo mesma, eu digo. Descubro com cinco minutos de esteira o quanto gosto de alimentar saudade ao invés de sedimentar memória. Com dez eu me envergonho e juro tentar melhorar. Com quinze já estou pensando que é melhor correr na pracinha dos cavalinhos. Droga! Voltei pro pensamento inicial.

Essa comoção da atividade aeróbica me irrita. Acontece que eu tenho amigos educadores físicos (,) e pretendo respeitá-los. Não me irrita o diálogo. O encaixe das palavras certas nas horas exatas faz meu dia de despedida terminar anônimo. Bem como uma fagulha, uma fantasia e tudo o que antecede o real.

Antes do acontecer eu faço verso e a diversão é o único presente que surpreende – como um tombo. Eu sou alguém que adora tropeçar. Analisar o que terceiros compreendem do meu texto é como me esborrachar assim como gosto de gargalhar.

No meio do meu caminho tinha uma pedra e foi um jeito melhor de correr. 
No meio de meu presente tinha uma quimera e há de ser melhor de dizer.
O quanto gosto dos amigos. O quanto me apaixono por eles.
O tanto que leio de artigos. O tanto que espero resposta deles. 

29 de novembro de 2011

vrum vrum vrum


Vivi bem quando no passado tocava mesmo o tamborim mais bonito que os de todos os outros era o meu favorito em suas mãos mais bonitas que as de todas as outras que Vivi era mesmo um desenho sem margem pra não ficar fácil de tocar eu não sei mas Vivi enquanto foi bom bastante durou mais que todo o resto que Vivi.

Vivi é um vão no carrinho. Todo homem devia ganhar seu vermelho de rodinhas e corda resistente ainda pequeno. Vivi voando até que um chapéu voador caiu sobre mim. Fiquei feito elefante na boca da jibóia. Todo homem devia entender mais de chapéu. Vivi vindo sem ter nome até você me assoprar.

Diz pra mim seu signo. Me mata um pouquinho não poder terminar o menino que leva no vão do carrinho um negócio assim meio sem nome como eu. Diz pra mim teu sonho. Dá preu te hipnotizar bastante até chegar num meio de um monte de treco que a princípio não serve pra nada e apesar tá entre a confusão de tranqueira do seu automóvel e a confusa Tamarineira que a inspiração me dá.

Eu vou viver o verão de sonho até o que vivi partir e voar. Você chegou no meio de uma caçamba e eu me pus num vazio feliz deu ali estar. Vamos fingir que escreves pra mim, que finjo decolar. Dou gás num bocado de pensamento que em mim eu te apresento faz questão de sair assim meio torto todo inúmero de falas prosaicas e leves e loves de banal tem só palavras que no fundo guardam algum disfarce pra não se denunciar. 

18 de novembro de 2011

Os Traços


Por Google Tradutor

Tarde de sábado no mundo maravilhoso dos shoppings centers. Chega lá uma doce criatura devota das dádivas ininterruptas. Ela diz:

- Vai ser rock`n roll de novo, gracinha. Não tente separar atos e omissões, bondades e maldades.

- Qual é o brinde? – eu pergunto apressada.

- Olha, acompanha três desses pacotinho-surpresa.

“Essa gente meio que deixa a gente meio sem saber se tá usando o plural da maneira correta” eu pensei. Em seguida tentei decifrar aquelas mini-embalagens plásticas em formato quadrado com cores opacas e nada tímidas.

- Maneiro. Você sabe o que vem dentro?

- Uma proteção de látex pro brinquedo que veio junto com a promoção do mês passado.

Eu tive a estranha impressão de já ter brincado com tudo aquilo.

- Eu vou querer o número 2, então. Mas não conta pra ninguém que como carne que eu andei mentindo por aí...

- Bebida?

- Carlsberg.

- A Devassa acompanha o tema do mês...

- Ok, Devassa. Enche a caixinha de ketchup. Enche mesmo.

Que saudade de sentar na praça de alimentação com aquele projeto de felizesparasempre entre você e seu hambúrguer. No início do ano eu fiz o mesmo e foi Gostoso Demais.

Pausa.

Isso aqui tá com cara de expectativa. Cara daquilo que a Fernanda falou dois anos atrás. Esse laranja berrante, o néon do bate-bate. Há três dias uns ursos polares resolveram habitar a minha barriga. Eles clamam por um Mc Lanche Feliz e eu resolvi ser bem-resolvida agora? Não mesmo! Trata de cair de boca nesse sanduíche.

- Moça, veio duplo.

- É a novidade da sua vida amorosa. Você compra uma frustração e a outra acompanha.

Sentei. Comi. Senti que nem mesmo uma dúzia de Devassas desceria aquela bosta meio magra e sem-sal entalada na minha garganta. Eu não queria passar mal. Você sabe como é... Bruna is the new black e eu tava a caráter. Ela ajudou:

- Olha tigutiguti! Você pode destacar uma guitarrazinha da caixa de papelão.

Os caras que cuidam do projeto gráfico do Mc deveriam ser mais ousados. Tais formatos existem desde a minha infância.

Pausa. Eu acabo de revelar que não sou uma menina e os erros de pontuação são uma tentativa tola de estilo.

- Ei! Eu acabo de me lembrar que deveria vir um brinde...

Nessa hora você remexe aquele lixo todo dentro da caixa e percebe que foi ludibriado.

- Desculpa, querida. Nós vamos estar lhe providenciando outro brinde.

Malditos paulistas donos de centrais de tele-atendimento.

- Pronto. Com isso você poderá obter uma conexão inexprimível com o show de uma das suas bandas favoritas.

(...)

Alone, Together.

23 de outubro de 2011

Cadê o gosto da panqueca? - parte 2

Matei outro homem. Não. Foi ela. Quer dizer, você. Na verdade, comprei o congelado. Já faz tempo eu quero saber qual o gosto daqueles tipos enfeitados por photoshop. Mas sabe de outra coisa que não mesmo se relaciona com a minha declaração? O amanhecer em Botafogo é bonito purdemais e uma pena eu só tê-lo podido viver duas vezes.

Cheguei em casa e tirei do freezer a tal carne. Eu passei dias namorando o saco lá no fim da prateleira coberta de gelo. Prato preferido dá uma vontade de apressar o preparo e um medo do sabor não ser mais o mesmo que no final parece que você pôs a mesa à toa. É por isso que eu detesto coisa que se exibe pela internet. Pré-vestibulandos, em estatística a rede nunca esteve tão cheia de maquiavélicos virgens. Eu não resisto a corte dado de maneira semelhante. Tive que comprar o pedaço que a outra menina matou.

Quando descongelou que eu vi tudo podre. Às vezes eu também acordo com uma coceira no olho e não dá pra enxergar nada direito. Lá em casa dizem que se estragado é pra jogar fora logo; eu fiz. E fiquei comendo daquela panqueca de antes. Aquela panqueca não cede, nem se aproxima. Fica cheirando bom e meu nariz entope sempre na hora de saborear. Minha saúde é problemática demais para quem mata e come tanto.

Enfim - que eu estou com essa mania de falar assim agora - encontro de matadoras parece evento mais interessante que Rock in Rio. Come-se melhor que o sanduíche sem gosto, que você se matou um pouquinho pra fazer.

De repente minha intenção agora é ser tão otimista que chega a constrager, mas já que na minha fantasia você se matou bem pouco, deixa só a marca no esmalte vermelho provocante. Aceita um chopp comigo pra não falar de homem nenhum a matar. Eu gosto de batata frita e bacon, de bastante ketchup e seria ótimo falar dos que estão mortos. Dessa vez dos caras já consagrados que reconheço na minha escrita e na sua. Tratar de como é bom textuaizar o contexto e como a sensibilidade femina deve irritar.

A quem matou o carinha do congelado, eu digo que devemos conversar sobre Machado, Joyce... Desses outros caras que falo.

Amanhecer em Botafogo é muito bom. Tem poesia que fica no papel. E gente bacana que eu não sei bem como eu admiro a atitude de vir puxar papo.

Prazer. É mais ou menos assim que falo.

27 de setembro de 2011

Cadê o gosto da panqueca?


Hoje eu matei um homem e o moí todinho. Deixei no freezer por duas semanas. Ai não. Matei um homem há quatorze dias, fiz carne moída e amanhã descongelo pra ontem. Droga. Matei um homem, eu juro. Escolhi um novo gordo que esses novos gordos não contraem nenhum músculo quando em perigo. Homem é como porco, não pode sofrer quando aos golpes, senão a carne não amacia.

Parti os pedacinhos. Cento e oitenta e três, pra ser exata. Vejam, não falo de cortar uma parte da banda da bunda e preparar com requinte. O que sobrou do morto ta lá na geladeira. O caso aqui não é traição, não está no cinema, não é dos meus filmes favoritos, nem é brasileiro. Eu matei esse homem num buraquinho que eu cavei em Brasília e deu lá noutro lado do mundo.

Estava fazendo um favor. Eu livro a humanidade das figuras patéticas. Este sujeito me aparece querendo sumir e não tem nada que me incomode mais que gente brincando disso. Pegou forte na minha cintura, me implorou pra quebrar uma garrafa em sua cabeça. Não o fiz. Deita aqui no meu ombro, querido. Agora nós somos amigos e mais tarde eu te dou de comer.

Aí o cara começa a me pedir trakinas de morango e eu me irrito. Nada nos bolsos além de umas revistinhas eruditas. Que sujeito não carrega três reais nos bolsos pra numa emergência comprar um pacote de biscoito recheado? O tipo que gasta em bancas e bibliotecas. O tipo que dá vontade de dar doze facadas e cortar em cento e oitenta e três. Verdade, eu juro.

Estou em casa a relatar meu crime com tamanha classe para que afinal você se canse de ler e vá logo chamar a polícia. Existem algumas outras possibilidades – aqui citarei só as interessantes, não contando assim com a habitual troca ou cancelamento de abas abertas no seu navegador. Eu se fosse você tentaria descobrir o paradeiro desse homem. Melhor, vou preparar panqueca com a carne moída. Pode chegar aqui em casa.

- Odeio nariz entupido que não deixa sentir o gosto da comida. Odeio tudo úmido e salgado.